Archive for the "Textículos" Category

Carta ao Amante

Posted in "Textículos" on 22/12/2008 by Lady Shady

“Preciso, e quero, confessar-lhe:
sexo com vc, é o meu Prozac…ou qualquer outra dessas Pílulas da Felicidade…
É Tarja Preta, sim, mas interprete por favor como um elogio.
Meu doce paleativo…

Problema só que acabo sempre sentindo os efeitos colaterais…
Aparecem Pós-Euforia.

Mas quer saber…que se foda também.
Depois eu me viro…bem ou mal.

Te digo isso porque hoje me sinto melhor que ontem, e gostei de ver o sol …
E saí com uma blusa florida, com a boca vermelha, as unhas bordô e fui pro trabalho sem sutiã.
E fiquei ouvindo Abba no meu MP3 barato de cor Pink, me sentindo orgulhosa e sexy, ostentando uma mancha roxa escandalosa no ombro esquerdo, sorridente com essa jóia ganha, ametista de carne e sangue, exibindo-a sem nenhum pudor, o inverso da adolescente que cobre os rastros do amor com pancake.

Te digo numa postura de Gueixa, só pra massagear seu ego como que com minhas próprias mãos…essas mãos finas que amam transpassar seus cabelos entre os dedos.
Essa sensação já é um presente.

Não gosto de te ouvir dizer que você está velho.
Se eu fosse homem, diria que você cheira a carro zero…

Te digo, porque você merece ouvir, e não merece.
Porque sou sua, e não sou.
Porque te quero, e não quero.

Falei porque eu quis…e pronto.”

Pra ti,mon amant…

Só o Sexo Salva…

Posted in "Textículos" on 18/12/2008 by Lady Shady

“Estou cansada dessa coisa Amor.
Nesse meu atual momento de vida, sua busca só poderá me trazer mais frustração e angústia.
Não me entendam mal, o Amor ainda é lindo, apenas não me serve por hora.
Descarto-o então e fujo ao encontro do Prazer, puro e simples, da experimentação dos sentidos físicos, dos princípios básicos de sobrevivência humana: beber, dormir, comer e foder – Princípio ASA* + SEXO.

Basta!
Estou farta dessa necessidade sobrenatural de afeto e reciprocidade.
Estendo o braço à Amoralidade, velha amiga, e caminho saudável, confiante.
Foi sua companhia que por mais de uma vez me resgatou e me trouxe de volta à superfície quando sentia a Maré da Desilusão me arrastando pra onde não dá pé e começava a me debater tentando manter o nariz fora d’água.”

* Princípio de Sobrevivência ASA = Água + Sono + Alimento. Encontrado geralmente em Apostilas de Sobrevivência ( gelo, mar, selva e deserto ) fornecidas em Cursos de Formação de Técnicos em Segurança de Vôo, ou seja, Comissários de Bordo, também vulgarmente chamados de aeromoças/aeromoços/aerogays, que aliás, fazem parte de uma das “tribos” mais divertidas, doidas e sexualmente ativas que alguém pode ter o prazer de conhecer na vida. Ao acréscimo do SEXO à equação certamente não se oporiam meus queridos e saudosos amigos do ramo da Aviação Civil.

Esse nada obscuro objeto do desejo…

Posted in "Textículos" on 17/12/2008 by Lady Shady

Geni o observa, estática.
Olhar semicerrado como se buscasse melhor focar a imagem.
Ele dedilha as cordas do violão, mas é ela quem é tocada. Sente um ciúme infantil daquele instrumento.
Diverte-se com a inocência do moço diante da situação. Compenetrado em seu ofício ele não imagina o que se passa na mente de Geni, não percebe as alterações em seu corpo, sua temperatura, sua respiração…os bicos dos seios já rijos.
A cada nota arrebatada, um êxtase.
Imagina os dedos, aqueles dedos hábeis, subindo pelo interior de suas coxas, invadindo seu sexo úmido, pulsante…o calor dos lábios, o roçar de pêlos, braços, pernas, línguas.
Flashes, flashes…
Embriagada de tanto querer percorre o olhar pela figura dele. Passeia até a nuca, entrelaça os cabelos, beija-lhe o pescoço, desce pelos ombros, escorrega gola adentro, se arrasta pelo peito, bebe em seu umbigo, lambe a virilha, encara seu membro…e é impossível não arfar.
Então disfarça e finge cantar, a cretina.
Ri de si mesma. Ri.
Mais tarde Geni, ciente de sua condição de grandessíssima “puttana” confessa a uma amiga:
“Por esse homem…por esse homem eu largava a vida”.

Inspiração Rodrigueana???

Posted in "Textículos" on 16/12/2008 by Lady Shady

Segue um texto de uma amiga.
Adoro!
Muito,muito estimulante!
Tanto o texto quanto a amiga.
Beijos pra ti,”Belle du jour”.

Te perdôo

Antes de começar, preciso dizer que o que vou contar realmente aconteceu. Não é uma história inventada, posso garantir, a fonte é segura. Você pode até desconfiar, porque o que vou narrar não aconteceu comigo, nem com nenhum dos meus. Mas soube por uma amiga muito séria, daquelas em quem a gente acredita de olhos fechados. No entanto, a protagonista não é ela, mas sim uma amiga dela, que eu conheço de bom-dia no corredor. A minha amiga é confidente dessa moça. Todas trabalhamos na mesma empresa, mas eu sou do sétimo andar e elas do oitavo. Repito que o caso é verídico: trata-se de verdade verdadeira.

Para facilitar as coisas e preservar identidades, vou usar nomes fictícios. Afinal, meu objetivo não é fazer fofoca nem denúncia. Também não estou aqui para julgar ninguém, apenas para contar uma boa história.

Vamos aos fatos. Janaína trabalha na mesma seção que Márcia, a minha amiga, e há tempos vinha se queixando das crises de ciúme do marido, Roberto. A Márcia me disse que não conhece pessoalmente o Roberto, mas já viu fotos. Disse que o cara é um gato, que não entende um homem bonito ser tão inseguro. O Roberto tem tanto, mas tanto ciúme da Janaína, que costuma averiguar todos os passos da mulher: o horário marcado nos recibos do cartão de débito, o extrato do cartão de crédito, as ligações do celular, qualquer vestígio que possa haver no carro… até mesmo o cheiro da roupa íntima ele verifica! No entanto, a Janaína é uma santa. Nunca deu motivos para o marido agir assim. Só que é uma mulher muito bonita, daquelas que os homens olham mesmo. E lá no oitavo tem muito homem. Ela e a Márcia são as únicas mulheres da seção. Como a Márcia é meio apagada, a Janaína se destaca ainda mais. Mas é discreta, não anda com visual exuberante, não. Os homens é que não podem ver um rabo-de-saia que ficam loucos. Mas, como eu ia dizendo, a Janaína nunca deu motivo para tanta ciumeira. Leva uma vidinha da casa para o trabalho, do trabalho para casa. A Márcia está com ela todo dia, vê que a menina não tem olhos para ninguém. Ela está é sofrendo com tanta desconfiança. Teve um dia, a Márcia disse, que ela chegou a chorar na hora do cafezinho. Tudo por conta do controle excessivo do marido. O sujeito liga umas vinte vezes por dia e, se ela não atende em uma dessas ocasiões, ele começa a busca por alguma pista de adultério. A gente pensa que isso é coisa de mulher, mas tem muito homem que faz isso!

Há um mês mais ou menos o José Carlos, que trabalha lá no oitavo com as meninas, começou a dar em cima da Janaína mais abertamente. Até então ele fazia apenas uma ou outra gracinha para ela, mas a Márcia me contou que, com o tempo, o assédio começou a ficar pesado. Mesmo assim a Janaína estava ali, firme, sem dar a menor condição para o Zé. E olha que deve ser difícil, porque o Zé é alto, bonito, inteligente, e tem uma voz… ah, nem vou contar… que voz! Voz de homem, voz forte, marcante. Digo isso porque um dia subimos no mesmo elevador e ouvi o papo dele com a D. Angélica, a copeira do nono.

Mas sabe como é a vida: a Janaína chateada com a situação em casa, e um homem marcando em cima no trabalho. Um belo dia ela cedeu aos próprios impulsos. A Márcia me disse que até deu força, porque não dá para dispensar um homem como o Zé Carlos. Mas foi tudo muito planejado, pensado com muito cuidado, para que o marido não descobrisse de maneira alguma.

Em uma segunda-feira, quando o Roberto ligou para a Janaína por volta das duas, ela avisou que ia ter uma reunião de planejamento estratégico naquela tarde. A Márcia me contou que já estava sabendo da armação. Disse que era reunião com a diretoria, que era importante e demorada, e talvez ela não pudesse atender o celular. Feito isso, deu um toque na Márcia, pegou a bolsa e disse que ia ao médico. Passou pela mesa do Zé e o chamou. A Márcia disse que prestou bastante atenção na cara do Zé: o sujeito ficou surpreso com a convocação, mas levantou rapidamente e seguiu a Janaína sem pestanejar, como um cachorro que abana o rabinho quando é levado para passear.

Segundo a Márcia, a idéia da Janaína era levar o homem para um motelzinho furreco a algumas quadras da empresa. Foram até o estacionamento onde ela deixa o carro. Ela sentou ao volante e ele no carona. Não percorreram nem metade do caminho e Janaína entrou em um beco onde catadores separam lixo para reciclagem. Encostou o carro depois de um burro-sem-rabo e partiu para cima do Zé ali mesmo. Os vidros embaçaram em segundos e o trabalho foi concluído em poucos minutos. Protegida pelo pára-brisa ainda embaçado, Janaína se recompôs, pegou o preservativo que jazia sobre o câmbio e jogou pela janela.

Retornaram para a empresa. O Zé estava tão eufórico e desnorteado que nem voltou a trabalhar naquele dia: ficou no boteco, bebendo cerveja no balcão. Mas a Janaína estava tranqüila e subiu. Antes de entrar na sala, foi ao banheiro, escovou os dentes, trocou a calcinha por uma idêntica que levava na bolsa e descartou a usada na lixeira. Quando atravessou a seção, ninguém desconfiou. Só a Márcia, que já sabia da história, pôde perceber o sorriso da amiga. Janaína conferiu o celular: nenhuma chamada perdida. O marido havia ligado para o ramal, mas a Márcia atendeu e confirmou que ela estava em uma reunião. No fim da tarde, antes de ir embora, Janaína ligou para o marido. Falou dos objetivos do planejamento estratégico e disse que estava indo para casa.

Ao abrir a porta, Roberto já estava a postos no sofá – tudo isso ela contou para a Márcia no dia seguinte. Deu um beijo no marido emburrado e foi para o banho. Enquanto isso, o homem começou a investigação: revirou a bolsa, foi ao banheiro cheirar a roupa da mulher e, não satisfeito, desceu até a garagem para fazer a inspeção do carro.

Janaína penteava os cabelos diante do espelho quando Roberto retornou com a seguinte pergunta: mulher, que tanto papel você largou junto do banco do carro? Janaína não soube o que responder. Ele a puxou pelo braço e disse: vamos, quero que você me explique o porquê daquela imundície.

Ela abriu a porta do carro e passou a mão pelo estofamento, recolhendo a embalagem do preservativo entre pacotes vazios de biscoitos. Mascarando a tensão, amarrotou os pedaços de plástico metalizado e voltou-se para o marido: não é nada, está vendo? São apenas embalagens de salgadinho! Agora dei pra comer no carro.

Naquela noite, tudo mudou: Roberto, chorando, reconheceu que a mulher era incapaz de traí-lo e pediu perdão por tanta desconfiança. Depois de muito conversarem, fizeram sexo até amanhecer.”

Letícia Balceiro