Archive for the Partida Category

Virou purpurina…

Posted in Partida on 19/03/2009 by Lady Shady

Cheguei agora pouco em casa, já estou de saída mas passo aqui rapidamente só pra prestar singela homenagem a um homem (???????????) que deixou sua marca neste mundinho de meu Deus.

Clodovil partiu…fez a passagem…foi de limusine branca, of cooooooourse!

Meu adeus vai atrasado ( desculpa, Clô! ), mas um leitor desse blog safado, que por acaso conheci hoje no Metrô, me ‘cobrou’ a nota e então deixo esse post, muito saudosa e sentida de tamanha perda.

Nunca mais esquecerei suas sábias palavras:
“Dinheiro não traz felicidade. Mas é melhor chorar numa limusine que num ônibus lotado”

Boa viagem, Clodovil querido!
Arrasoooooou por aqui!
Anima agora as coisas aí em cima, ‘Lôca’ !!!!!

bjs!!!

E assim foi…e muito amada foi…

Posted in Partida on 14/01/2009 by Lady Shady

Nelie.
De origem humilde e personalidade forte.

Filha de Euvira, mulher altiva que, reza a lenda, revolucionou e escandalizou a pacata cidade onde vivia ao abandonar o Lar pra viver num prostíbulo, no início do século XX ( mais tarde, Euvira retornou, ou “foi retornada”, não consegui saber ao certo ).

Corre à boca muidííííssima que Nelie herdara de sua mãe o mesmo “temperamento”, digamos assim…

A doce, amada e (inegavelmente) imperfeita criatura que permeia minhas mais antigas e belas lembranças guardava uma vida “pecaminosa”, vida de segredos ( nem tão secretos assim, ao que parece ).

Carregava dentro de si um fervor…um ‘ventre em chamas’ ( lembrei de “Fogo nas Entranhas”), sangue inflamável nas veias…uma condição.

Olhos e ouvidos mais atentos dentro do ceio familiar percebem que tal condição é sempre passada adiante a uma ‘fêmea’ de cada geração.
Herança de Euvira.
Alguns julgam, outros admiram…sempre ‘secretamente’.

E foi com admiração ( e gozo ) que ouvi um primo confessar que certa vez, certa noite, essa Nelie, já bem senhora, vendo-se em casa na companhia apenas de seu neto e a namorada ( o restante da vasta família havia já saído para uma festa na praça da cidade ), virou-se pra ‘pequena’ e disse:

“Todos saíram, aproveita! Vai lá, menina, vai lá! Vai lá tomar banho com ele.”

Nelie passou os últimos oito anos de sua vida sobre uma cama, infelizmente sem poder desfrutar do “melhor” que tal peça de mobiliário, ícone de prazer, lhe proporcionara no passado.

Manteve-se ali silenciosa, com seus velhos segredos e outros novos ( estes últimos indecifráveis ).

No décimo terceiro dia desse ano de 2009, cansou-se enfim e decidiu por bem partir.

Deixou com os seus as memórias, a saudade, suas histórias; e certas dúvidas que pouco importam.

Ao vê-la sumindo, me despedi dizendo:

“Vai lá, Dona Nelie, vai lá!”
(1923-2009)