Dá-lhe ‘pilulinha’ azul

Recebi esta há um tempinho atrás de duas amigas.
Valeu, meninas!

Casal lendo a bula do Viagra …

– Vai, Horácio. Toma logo.
– Eu não tomo nada sem antes ler a bula. Cadê meus óculos?
– Pendurados no seu pescoço.
– Isso é ridículo, Maria Helena. Ridículo!!!
– Então, todos os homens da sua idade são ridículos. Porque todos estão tomando! E não me puxa esse lençol, fazendo o favor. Olha aí o bololô que você me faz nas cobertas!
– A humanidade conseguiu crescer e se multiplicar durante milênios sem isso. Nós dois crescemos e nos multiplicamos sem isso. Taí o Pedro Paulo, taí o Zé Augusto que não me deixam mentir.
– Horácio, eu não vou discutir isso com você agora. Toma logo esse negócio.
– Isso aqui faz mal pro coração, sabia?
– Não faz mal coisa nenhuma. Só pra quem é cardíaco e toma remédio. Você não é cardíaco. Nem coração você tem mais.
– Não começa, Maria Helena , não começa.
– Preciso de sexo, Horácio.
– Mas hoje é segunda, Maria Helena…
– Quero trepar!!! Foder!!! Ser comida por um macho de pau duro!!!
– Francamente, Maria Helena , que boca. Parece que saiu da zona.
– Quero ser penetrada, quero gozar.
– O sexo é uma ditadura, Maria Helena A gente tá na idade de se livrar dela.
– Saudades da dita dura. Olha só, você me fez fazer um trocadilho de merda.
– Além do mais, Maria Helena, nós já tivemos um número mais do que suficiente de relações sexuais na vida, por qualquer padrão de referência, nacional ou estrangeiro. A quantidade de esperma que eu já gastei nesses anos todos com você dava pra encher a piscina aqui do prédio.
– Com o esperma que você ordenhou manualmente, talvez. O que o senhor gastou comigo não daria nem pra encher o bidê aqui de casa.
– Maria Helena…
– E faz quase um ano que não pinga uma gota lá dentro!
– Sossega o facho, mulher. Vai fazer ioga, tai chi chuan. Já ouviu falar em feng shui, bonsai, shiatsu? Arranja um cachorro. Quer um cachorro? Um salsichinha?
– Quero um salsichão, Horácio. Olha aí: outra piadinha infame.
– É porque você está com idéia fixa nessa porcaria.
– Que porcaria?
– O sexo, Maria Helena , o sexo.
– Sabe o que mais que deu naquele programa sobre sexo, Horácio? Que as mulheres com vida sexual ativa têm muito menos chance de ter câncer. É científico.
– Come brócolis que é a mesma coisa, Maria Helena. Protege contra tudo que é câncer. Também é científico, sabia? E puxado no azeite, com alho, fica uma delícia.
– A que ponto chegamos, Horácio. Eu falando de sexo e você me vem com brócolis puxado no azeite, Horácio! Faça-me o favor!
– Maria Helena, escuta aqui, você já tem 50 anos, minha filha, dois filhos adultos, já tirou um ovário, já…
– E o que é que filho e ovário têm a ver com sexo?
– Maria Helena, me escuta. Depois de uma certa idade as mulheres não precisam mais de sexo.
– Ah, não? Quem decidiu isso?
– Sexo nessa idade é pras imaturas, pras deslumbradas, pras iludidas que não sabem envelhecer com dignidade.
– Prefiro envelhecer com orgasmos…
– O que é que o Freud não diria de você, Maria Helena.
– E de você, então, Horácio? No mínimo, que você virou gay depois de velho.
– Maria Helena! Faça-me o favor. Eu tenho que ouvir isso na minha própria casa, na minha própria cama, diante da minha própria televisão?
– Aliás, gay gosta de trepar. É o que eles mais gostam de fazer. Você virou outra coisa, sei lá o quê. Um pingüim de geladeira, talvez.
– Maria Helena, dá um tempo, tá? Tenho mais o que fazer.
– Fazer? Essa é boa. O que é que um bancário aposentado com salário integral tem pra fazer na vida, posso saber? Ficar jogando bilhar a tarde inteira?
– Sem comentários, Maria Helena , sem comentários.
– Tá bom, sem comentários. Bota os óculos e lê duma vez essa bendita bula.
– Só que precisa de dois óculos pra ler isso. Olha só o tamanhico da letra. Se é um negócio pra velho, deviam botar uma letra bem grande. Pelo menos isso.
– Vira o foco do abajur para cá… assim… melhorou?
– Abaixa essa televisão também. Não consigo me concentrar ouvindo novela. Mais. Mais um pouco.
– Pronto, patrãozinho. Sem som. Vai, lê duma vez.
– O princípio ativo do medicamento é o citrato de sildenafil.
– Sei.
– Veículos excipientes: celulose microcristalina…
– Celulose vem da madeira. Pau, portanto. Bom sinal.
– Onde foi parar a sua pouca educação, Maria Helena?
– Vai lendo, Horácio. Depois conversamos sobre a minha pouca educação…
– Cros… camelose sádica. Croscamelose. Castrepa, Maria Helena. Me recuso a tomar um troço com esse nome. Deve ser alguma secreção de camelo. Se não for coisa pior.
– Não é camelose. Num tá vendo aí? É caRmelose. Deve ser algum adoçante artificial. Pro seu pau ficar doce, meu bem.
– Putz. Só rindo mesmo. A menopausa acabou com a sua lucidez, Maria Helena.
– Troco toda a lucidez do mundo por um pau tinindo de tesão por mim.
– Absurdo, absurdo.
– Que mais, que mais, Horácio?
– Dióxido de titânio.
– Ah, titânio. Pro negócio ficar bem duro.
– Índigo carmim…
– Índigo? Deve ser o que dá o azul da pilulinha.
– Será que esse negócio não vai deixar o meu pau azul, Maria Helena?
– E daí, se deixar? Você não sai por aí exibindo o seu pênis, que eu saiba. Ou sai?
– Mas, e se eu for a um mictório público? O que é que o cara ao lado não vai pensar do meu pinto azul?
– Diz que você é um alienígena, ora bolas. Ou explica que você é um nobre, de pinto azul. Ou não diz nada, acaba de mijar, guarda o pinto azul e vai embora, pô.
– Escuta. Agora vem a parte que explica como esse petardo funciona.
– Isso. Quero ver esse petardo funcionando direitinho.
– Presta atenção. ‘O óxido nítrico, responsável pela ereção do pênis, ativa a enzima guanilato ciclase, que, por sua vez, induz um aumento dos níveis de monofosfato de guanosina cíclico, produzindo um relaxamento da musculatura lisa dos corpos cavernosos do pênis e permitindo assim o influxo de sangue:’ Cacete. Corpos cavernosos!!! Já pensou, Maria Helena? Corpos cavernosos sendo inundados de sangue? Puro Zé do Caixão.
– Corpo cavernoso só pode ser herança do homem das cavernas. Vocês homens evoluem muito lentamente.
– Pára de viajar, Maria Helena. Parece que fumou maconha.
– Não era má idéia. Pra relaxar. Vou roubar do Pedro Paulo. Eu sei onde ele esconde. Podíamos fumar juntos.
– Eu já tô relaxado. Tô até com sono, pra falar a verdade.
– Lê, lê, lê, lê aí. Você já dormiu tudo a que tinha direito nessa vida.
– Vou ler. ‘Todavia, o sildenafil não exerce um efeito relaxante diretamente sobre os corpos cavernosos…’
– Não?
– Não, Maria Helena. Ele apenas ‘aumenta o efeito relaxante do óxido nítrico através da inibição da fosfodiesterase-5, a qual’ – veja bem, Maria Helena, veja bem – ‘a qual é a responsável, pela degradação do monofosfato de guanosina cíclico no corpo cavernoso’. Ouviu isso? Degradação, Maria Helena. Dentro dos meus próprios corpos cavernosos. Degradante…
– Degradante é pau mole.
– Olha o nível, Maria Helena! Olha o nível!! Vamos ver os efeitos colaterais. Olha lá: dor de cabeça. Você sabe muito bem que se tem uma coisa que eu não suporto na vida é dor de cabeça.
– Na cultura judaico-cristã é assim mesmo, Horácio. Pra cabeça de baixo gozar, a de cima tem que padecer.
– Não me venha com essa sua erudição de internet, Maria Helena. Estamos off-line.
– Deixa de ser criança, Horácio. Se der dor de cabeça você toma um Tylenol.
– Outro efeito colateral: rubor. Rá, rá. Vou ficar com cara de quê, Maria Helena? De camarão no espeto?
– Se for camarão com espeto, tá ótimo. Que mais, que mais?
– Enjôos. Ó céus! Enjôos…
– Você sempre foi um tipo enjoado, Horácio. Ninguém vai notar a diferença.
– Vamos ver o que mais… hum.. dispepsia. Que lindo. Vou trepar arrotando na sua cara.
– Você me come por trás. Arrota na minha nuca.
– É brincadeira… É essa a sua idéia de amor, Maria Helena?
– Isso não tem nada a ver com amor, Horácio. Já disse: é profilaxia contra o câncer. E arrotar, você já arrota mesmo o dia inteiro, sem a menor cerimônia. Na mesa, na sala, em qualquer lugar.
– Como se você não arrotasse, Maria Helena…
– Vai, Horácio, chega de conversa mole. E de pau idem. Pula os efeitos colaterais.
– Como ‘pula os efeitos colaterais’? É porque não é você quem vai tomar essa meleca, né? Vou ler até o fim. Os efeitos colaterais são a parte mais importante. Olha lá: gases. Que é que tá rindo aí?
– Do efeito cu-lateral. Desculpa. Esse foi de propósito. Não agüentei…
– Admiro seu humor refinado, Maria Helena. Torna você uma mulher tão mais sedutora, sabia?
– Obrigada, Horácio.
-Vamos ver que mais temos aqui em matéria de efeitos colaterais. Ah! Congestão nasal. Que gracinha. Vou ficar fanho, que nem o Donald. Qüém, qüém.
– Um pateta com voz de pato. Perfeito.
– Ridículo. Absurdo. Idiota.
– Ridículo você já é, Horácio. E quem não é? Além do mais, é só calar a boca que você não fica fanho.
– Ah, tá. E se eu quiser falar alguma coisa na hora?
– Você não diz nada de interessante há mais de dez anos, Horácio. Vai dizer justo na hora de trepar?
– Eu não nasci para dizer coisas interessantes a você, Maria Helena.
– Já percebi.
– Hum. Ouve só; diarréia!
– Quê?
– É outro efeito colateral dessa bomba aqui. Fala sério, Maria Helena. Isto aqui é um veneno. Não sei como eles vendem sem receita.
– Deixa de ser pueril, Horácio. Magina se alguém vai ter todos os efeitos colaterais ao mesmo tempo. No máximo um ou dois.
– A caganeira e os arrotos, por exemplo? Ou a ânsia de vômito e os gases?
– Faz um cocozinho antes. Pra esvaziar! Agora, Horácio. Eu espero.
– Eu não estou com vontade de fazer cocozinho nenhum, Maria Helena. Faça-me o favor. E olha aqui, mais um efeito colateral: visão turva.
– Você bota os seus óculos de leitura. E que tanto você quer ver que já não viu?
– Maria Helena, você não entendeu? Essa droga perturba seriamente a visão. Vou ficar cego por sei lá quantas horas, quantos dias. E tudo por causa de uma reles trepadinha? E se a minha visão não voltar? Vou andar de bengala branca pro resto da vida?
– Pode deixar que eu guio a sua bengala, Horácio.
– Maria Helena, desisto. Não vou tomar essa porcaria e tá acabado.
– Dá aqui essa cartela, Horácio. Abre a boca. Pronto. Engole. Olha a água aqui. Isso. Que foi? Engasgou, amor?! Tosse pra lá, ô! Me borrifou toda! Que nojo! Quer que bata nas suas costas? Ai, meu Deus! Horácio? Você está bem? Respira fundo! Isso, isso… E aí, amor? Melhorou?
– Arrr! E com essa pílula monstruosa entalada na garganta, ainda por cima! Ufff! Me dá água!
– Quanto tempo isso aí demora pra fazer efeito?
– Isso aí o quê?
– A pílula, Horácio, a pílula.
– E eu sei lá?
– Vê na bula, Horácio.
– Hum… tá aqui: 30 minutos.
– Ótimo. Dá tempo de ver o fim da minha novela.”
( Texto anônimo )

4 Respostas to “Dá-lhe ‘pilulinha’ azul”

  1. Letícia Says:

    Ótima piada!!!

    Mas o caso acima, dá pra resolver. O pior é quando o sujeito precisa de Viagra pra mente!

  2. Lady Shady Says:

    Impotência mental não tem jeito não, amiga. É colocar a fila pra andar!

  3. Anonymous Says:

    adorei!
    muito bom o texto!
    André Brilhante

  4. kkkkkkkkkkkk;;;tadinha ainda vai ter que esperar mais tempo ainda;vai gozar só nos pensametos.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: